Uma humilde resposta ao posicionamento do PMI sobre Agile
Olá pessoal,
Esse post é fruto de um susto muito grande que tomei depois de abrir o link que o André Nascimento postou em seu twitter, uma subpágina do site do PMI onde ficou exposto o posicionamento do Instituto à respeito dos métodos Ágeis. A página em questão pode ser acessada neste endereço.
Acho que a falta de argumentos e conhecimento em relação à cultura ágil os levou a escrever essa série de textos sem fundamento. Fiz a tradução de cada um deles para que pudéssemos discutí-los melhor:
Agile é uma cura milagrosa?
Apesar da badalação, Agile não é uma cura para tudo. Contudo, não que ela seja uma metodologia que não seja adequada para tocar um projeto, mas é a cultura corporativa que pode não ser propícia para os riscos e problemas que podem surgir com Agile.
Observação: Concordo quando dizem que Agile não é a cura para tudo, o próprio movimento Ágil é ciente disso. Porém, até aqui fiquei esperando quais riscos e problemas que o Agile poderia (veja, sendo Agile o causador) trazer para dentro de uma corporação…
Tudo junto agora
Gerenciamento de projetos Agile funciona melhor quando os times estão localizados no mesmo escritório.
Não importa que metodologia você usa, é sempre muito melhor ter as equipes num mesmo espaço físico em ocasiões como reuniões de kickoff e reviews periódicos.
Observação: Qualquer metodologia, framework ou modo de trabalho, que seja, funciona melhor se os membros do time estão num mesmo espaço físico. Mas denovo, fiquei esperando argumentos provando que Agile não funciona com membros do time dispostos em escritórios diferentes.
Uma questão de confiança
Para a Agilidade funcionar, os gerentes de projeto precisam sentir-se confortáveis em delegar muita responsabilidade para os membros do time, os quais também devem confiar uns nos outros.
Então você poderá esperar um pouco para aplicar metodologias ágeis, até que a confiança tenha sido estabelecida em toda a equipe.
Observação: penso algumas coisas à respeito dessa colocação:
– Não há um Gerente de Projeto delegando confiança, atividades, ou qualquer que seja a coisa dentro de um time ágil. O que há, de uma forma geral, é um “dono do projeto”, o qual expõe suas necessidades para o time, para que os membros deste definam a melhor forma de atendê-las.
– Supondo que o GP exista e que estivéssemos num cenário que trabalha sob o modelo comando-controle: delegar uma tarefa à alguém não é, de fato, delegar responsabilidade? Quanto tempo o GP vai esperar para delegar uma tarefa à alguém que ele acabou de contratar? Existe um período para “aquisição de confiança” para um membro recém-contratado, onde ele fica no escritório só de papo com o GP até que a confiança “nasça”? Se executar determinada tarefa não exige responsabilidade, que valor ela tem para o negócio/produto?
Está disposto a adaptar-se?
Metodologias ágeis sozinhas não vão levar uma organização ao sucesso, mas vão identificar diversas questões e problemas que precisam ser abordadas para que os projetos sejam melhores entregues.
Observação: Sim, de fato. E que mal há nisso? Na verdade, pergunto-me: isso não é MUITO bom? Acho que toda e qualquer organização deve estar disposta e ser capaz de adaptar-se, pois o mercado é mutante e, se não houver adaptação, a corporação vai ficar para trás, assim como se um time não se adaptar às necessidades do produto, ele não terá sucesso.
Quem fez CSM, viu o exemplo da Sogra? Nesse exemplo, o trainer diz que o Scrum é a sogra que entra na casa do casal, que é chata e vai apontando todos os problemas, os móveis empoeirados, as louças empilhadas, etc. Mas quem tem que arrumar isso? O casal (time)!
Disponibilidade para experiências
Sua organização valoriza experimentações? Agile conta com um baixo custo de experimentação, permitindo uma exploração iterativa e adaptável. Simulações, prototipações e testes ajudam a recolher informações valiosas sobre o projeto.
Observação: acho que esse ponto está paralelo com o abordado anteriormente. Para adaptar-se, é necessário experimentar, inspecionar novos resultados. Se não houver experimentos, como vamos saber se há algo que pode nos ajudar mais do que o que já temos hoje? Parafraseando o exemplo da sogra: como vamos saber se comprar uma máquina de lavar louças vai ser mais produtivo do que ficar lavando louça a louça se não a experimentarmos?
Equipe de “Jogadores”
Se os membros do seu time focam principalmente em objetivos individuais, as tecnicas ágeis baseadas em grupo provavelmente não serão uma boa opção.
Observação: Esse é um dos pontos os quais mais me decepcionaram. Esqueça metodologia, se você tem um time cheio de membros individualistas, você não tem um time! E digo mais: seu projeto será um fracasso. Um time se caracteriza por todos os seus membros terem um objetivo comum e estarem comprometidos com isso.
Uma mente aberta
As técnicas Ágeis não são convencionais e costumam ser difíceis de aprender.
Organizações ou times sem desejo em investir no aprendizado das técnicas necessárias provavelmente vão achar que o Agile é inadequado.
Observação: Definitivamente, não entendi esse ponto. Gostaria que exemplificassem uma técnica ágil de difícil aprendizado. Um dos princípios de Agilidade é simplicidade! E digo mais: acho um ponto muito negativo em companias que não têm interesse em investir na evolução dos seus colaboradores.
Invasão de privacidade
Técnicas ágeis são baseadas nos princípios de confiança e sinceridade, logo os membros do time devem aderir à transparência e estarem dispostos à abrir mão da sua privacidade.
Observação: Essa, definitivamente, não entendi. Se você, que está lendo esse artigo, é membro de um time ágil e perdeu sua privacidade por conta disso, comente esse post e conte-nos sua experiência. Por exemplo: se você se sente incomodado porque enquanto você está pareando com um colega de time você não pode parar para navegar no orkut, facebook ou twitter, sinto muito, mas lhe falta senso profissional.
“By the book”
Defensores do Agile alegam que uma dependência excessiva de metodologias pode sufocar a dinâmica e a evolução do projeto.
Se sua organização exige a adesão estrita à alguma metodologia de gestão de projeto fortemente estabelecida, então Agile não trará muitos benefícios.
Observação: Devo concordar com essa colocação e ao mesmo tempo concluír com ela que o projeto terá sua evolução e dinâmica sufocados. Contudo, técnicas de design iterativo e incremental não fariam mal algum à esse tipo de gestão, certo? J
Quais são suas prioridades?
As curtas iterações que o Agile proporciona ajudam a trazer resultados mais rapidamente – especialmente em termos de “Time to Market” e ROI. No entanto, isso requer refinamento constante do escopo do projeto.
Se os requerimentos do sistema fazem parte do contrato, então técnicas ágeis podem não ajudar muito.
Observação: Bom, algo tem grandes chances de variar. Se o “escopo” é fechado, é muito provável que custo ou tempo de projeto não serão fixos. Logo, não há problema nenhum em aderir à práticas ágeis quando seus requerimentos já estão estabelecidos, basta ter em mente essa variação de algum desses outros índices.
Vale o risco?
Agile oferece técnicas de gerenciamento de risco. Mas se a sua empresa ou cliente pedem um ambiente de projeto consistente e estável, então os métodos ágeis não devem ser seguidos.
Observação: Gostaria de entender porque, ao se aderir práticas Ágeis, o ambiente de desenvolvimento deixa de ser consistente e estável.
Concluindo tudo isso, eu vejo que minhas observações são questionamentos, pedidos de justificativas para cada uma dessas afirmações absurdas. Acho que se procurassem um pouco mais por fundamentos para cada um desses trechos, não teriam publicado tal página.
Bom, essa é minha humilde e rápida opinião. Sintam-se à vontade para comentar, criticar e questionar!
[]’s
Ricardo Serradas

Excelente materia expondo pontos de vista.
Não acho absurdas afirmações de nenhum dos lados.
Não devemos nos degladiar entre dois lados radicalemnte opostos. Temos que nos unir. Flexibilizar.
Só ouvindo o que os outros pensam é que moldaremos o melhor resultado.
As vezes quando defendemos uma ideia e julgamos ela a melhor, acabamos sendo radicais e não dando ouvido a outras ideias as vezes contraditorias mas as vezes complementares ou sugestivas para melhorias.
Se de um lado temos radicais Agile e de outro os radicais contra-Agile … porque não criamos o Agile2, assim como foi a Web2.0 .. e inovamos, damos um passo adiante, juntando ideias, flexibilizando e mixando idéias. Tai o espaço para de repente criarmos algo novo…um novo MANIFESTO ADAPTIVE ! (que tal?)
Edwar Fonseca
19/08/2010 em 10:35 AM
@Edwar Concordo contigo. Muitas vezes leio textos que parecem dizer: se você usa Ágil, é SÓ Ágil. Se é PMI, é SÓ PMI. Como digo, há excelentes pontos colocados no PMBoK que, se bem usados, podem trazer muitos benefícios.
No TDC haverá uma palestra sobre o Manifesto 2.0. Quem sabe não estamos próximos de algo assim, não?
[]‘s e valeu pelo comentário!
Ricardo Serradas
19/08/2010 em 11:49 AM
Fiquei meio sem entender as opiniões do PMI. Afinal, eles estão criticando ou elogiando o Agile?! Como vc mesmo falou, quem não quer uma equipe que trabalhe com transparência, unida, responsável, adaptável, etc…??
Luiz Corrêa
19/08/2010 em 1:26 PM
[]‘s e Obrigado!
Ricardo Serradas
20/08/2010 em 1:04 AM
Também em minha humilde opinião, desde um outro artigo polêmico do SEI que relacionada agile com skatistas (e fortemente inspirado pelo post “Só a agilidade funciona” do Rodrigo Yoshima) fico pensando que a questão não é entre metodologias “ágeis” vs “tradicionais”.
“Ágil” dá ideia de velocidade, enquanto de “tradicional” nos remete a respeito cultural, a práticas classicamente institucionalizadas. Acredito que nenhuma dessas ideias é o que se quer expressar de verdade nem quando se fala de “ágil” nem de “tradicional”.
Acredito que com agilidade estamos questionando as práticas de gestão de projetos. Quem vai querer gerar documentação além do necessário, por exemplo, ao invés de preferir o produto funcionando e gerando valor? Achei interessante também a abordagem do Claudio Keber para este assunto (http://blog.kerber.com.br/is-agile-right-for-your-project-ou-wtf).
Sob risco de talvez estar sendo radical, mas acho que a questão não deveria ser sobre AGILE vs TRADICIONAL mas sim sobre sobre as práticas CORRETAS vs as ERRADAS de gestão de projetos.
Marcelo F Andrade
19/08/2010 em 8:11 PM
Oi Marcelo,
Ótima colocação. Compartilho dessa visão também.
IMHO, eu acho que o ponto central disso tudo está em como essas técnicas são absolvidas e praticadas pelas pessoas e times. O próprio Ágil, por exemplo, se mal aplicado, é um fracasso.
Há também o ponto que, quando falamos de gestão de projetos, precisamos saber qual o tipo de projeto que estamos gerenciando. É preciso entender muito bem o que será gerenciado para poder então saber qual a melhor técnica a ser aplicada. Exemplo clássico disso é aquele que diz que uma técnica de gerenciamento de projeto de engenharia/construção civil não tem a mesma eficácia num projeto de construção de software.
Obrigado pelo comentário!
[]‘s
Ricardo Serradas
20/08/2010 em 1:03 AM